Terapia Integrativa

Tratamento da SARS

Uma Hipótese para o Tratamento da SARS a Partir de um Caso Clínico com Poucos Sintomas Individualizantes.

 

Seria possível nos aventurarmos a tratar um caso de SARS?


Mesmo com toda a distância que separa os países acometidos do Brasil, poderíamos, a título de exercício, nos aventurar a sugerir um tratamento homeopático para um evento clínico de tal natureza, um quadro tão grave?

Podemos afirmar, a principio, que os sintomas que são necessários à prescrição homeopática, ou ao menos aqueles sintomas que poderiam nos indicar qual grupo de remédios estaria associado à epidemia, esses sintomas raramente encontram-se descritos na literatura disponível.

Nos pareceu que os CDC (Centers for Disease Control and Prevention) ,órgão encarregado de controlar a doença, de analisá-la ede propôr meios de controle, devem ser formados basicamente por cientistas e não por médicos de formação clínica.

A maior parte das informações dizem respeito ao corona vírus, à forma de transmissão, aos cuidados a serem tomados, etc. Muito pouco valor foi dado ao quadro clínico da doença no que diz respeito aos seus detalhes semiológicos.



A descrição da SARS pelos CDC é, basicamente, circunscrita ao pródromo da infecção, (com mal-estar e sintomas parecidos com os de uma gripe), seguidos de um quadro de febre alta que pode ser associado a insuficiência respiratória, tosse seca e, às vezes, morte.


À guisa de exercício,tentamos algumas repertorizações com os poucos sintomas fornecidos. Mas os medicamentos que surgiram, que seriam aqueles medicamentos que teriam os sintomas patognomônicos da doença, pareceram-nos sem fundamento. Eram resultados por demais forçados, sem uma identidade real com a epidemia.



Até que tivemos acesso ao quadro clínico de uma enfermeira vietnamita que foi contaminada em um hospital, ao tratar de um paciente que veio a falecer da doença. Ela conseguiu recuperar-se mas ainda sofre das seqüelas da infecção.



A partir dos sintomas de Nguyen Thi Men, que é Terapeuta em Homeopatia Integrativa, acredito que possamos ter os primórdios de um estudo sobre a SARS, torcendo para que essa epidemia nunca apareça nessa nossa terra, já tão castigada pelos seus dirigentes.

O início do quadro de Nguyen foi semelhante ao descrito pelos CDC: Indisposição, dores pelo corpo, cansaço até que quatro dias depois ela se sentiu bastante fraca.

É interessante observarmos aqui que, diferentemente da descrição dos CDC, essa não é uma doença que se estabelece em poucas horas, como seria um quadro de Aconitum, ou mesmo de Belladona.


A febre só apareceu quatro dias depois do quadro ter se iniciado, nos apontando para um grupo de medicamentos homeopáticos que teriam uma forma de instalação mais lenta.

Depois, Nguyen relata que ela e mais um grupo de funcionários do hospital foram colocados em isolamento e a primeira coisa que ela sentiu, a partir daí, foi pânico por seu marido e seus filhos, por medo deles também estarem contaminados.



Costumamos acrescentar às nossas repertorizações os sintomas mentais dos pacientes. Mas pareceu-nos ao menos curioso que ela se preocupasse primeiro com sua família e que mal tivesse pensado em si mesma, apesar do risco de vida que estava correndo.

 

A sua descrição nesse momento é do seu medo de algo acontecer com o marido e os filhos, da preocupação que tinha por eles poderem vir a correr risco de vida. Talvez pudéssemos supor que esse sintoma poderia ser acrescentado, como uma característica do temperamento da paciente, da sua forma de se relacionar com as pessoas à sua volta.

 

Mas isso já estava anteriormente presente na paciente, fazia parte da sua natureza, não era um sintoma mental pertencente ao quadro clínico. Kent nos propõe acrescentarmos, nos estados agudos, somente os sintomas (no caso, os mentais) que surgiram com o quadro atual.



Então, Nguyen relata que sua condição começou a piorar com uma rapidez impressionante. Começou com dificuldade de respirar e então foi conectada a um respirador artificial, onde ficou inconsciente por dez dias, até a sua recuperação.

É certo que o estado de inconsciência foi induzido por medicamentos para que ela pudesse suportar o respirador bucal.

Podemos supor que a morte desses pacientes venha a ocorrer por falência renal, devido a uma septicemia.

Mas, ainda assim, o quadro de extrema fraqueza, antes do aparecimento da febre, nos fala de uma evolução dos sintomas na direção da dificuldade respiratória, do estupor e da inconsciência.

Será que poderíamos aqui aventar a hipótese de quais medicamentos poderiam estabelecer uma relação de semelhança com esse quadro, ou seja, teríamos nesse momento os sintomas patognomônicos do quadro?


Vejamos:
Precisamos de um medicamento de efeitos violentos, que seja capaz de produzir (nas patogenesias) quadros de grande intensidade e violência.
Ao mesmo tempo, não pode ser um medicamento de instalação rápida, instantânea. Seus efeitos devem ser sentidos ao longo dos dias. O quadro de dispnéia só apareceu uma semana após a paciente sentir os primeiros sintomas.


Precisamos de um medicamento que inflame o pulmão a ponto de torná-lo incapaz de se mover. Assistimos, há alguns anos atrás, alguns pacientes (nas fases mais avançadas da AIDS), a fazerem pneumonias graves a ponto de não terem mais força para respirar, de tal forma estavam os pulmões massificados pela infecção.

Esses pulmões estavam tão encharcados de secreção e endurecidos pela fibrose formada a partir da infecção que mal se moviam. Mesmo com o respirador artificial era necessária uma pressão muito forte para que o oxigênio pudesse ser levado até os alvéolos.

Lembramo-nos desses quadros, após a descrição da enfermeira vietnamita. Precisamos então de um medicamento que produza essa condição clínica?


Uma outra condição que podemos associar é a da astenia profunda, antes do aparecimento da dispnéia. Claro que, uma vez dispnéicos, todos os pacientes estarão astênicos. Mas, no caso da enfermeira, a prostração geral veio antes da dispnéia, o que pode nos dizer alguma coisa. Como se a impossibilidade de respirar fosse devido ao cansaço e não à infecção...



Buscamos os seguintes sintomas, no repertório:

Inflamação nos pulmões
Respiração – Asfixia
Febre – Calor Intenso
Estupor durante a febre
Dores que aparecem e desaparecem gradualmente.

Os únicos dois medicamentos que cobrem todos os sintomas são Arnica mont. e Crotalus horridus.
Cobrindo quatro dos cinco sintomas, encontramos:
Ars., Gels., Hyos., Nat-m., e Op.

Se continuarmos a história de Nguyen, ela relata que, embora tenha saído da fase mais grave, até hoje sente vários sintomas:
Relata que ainda sente seus pulmões, através de uma grande opressão no peito.
Que tem bastante dificuldade em dormir; na maioria das noites só consegue dormir por duas horas.
Fraqueza e prostração muscular; não consegue segurar os objetos.


Seus olhos estão inchados e vermelhos.
O que mais a incomoda, no entanto, é a perna direita, que ela não consegue mover sem sentir uma dor insuportável nas articulações.

A dificuldade de sono é bem marcante em todas as Ofídias. Crotalus não foge à regra: grande parte dos seus sintomas agrava durante o sono, ou mesmo o próprio sono está perturbado.

Kent diz em sua Matéria Médica que as doenças agudas, sensíveis à ação de Crotalus, deixam suas marcas após terem desaparecido. O paciente vem a sofrer de vários sintomas mesmo anos depois de ter vivido um episódio agudo importante.


Crotalus tem paralisia de membros inferiores, principalmente à direita, dores violentas nos joelhos e nos pés ao se mover, paralisia dos músculos extensores das pernas e paralisia dos membros inferiores em geral.

Ao consideramos esses últimos sintomas como conseqüências diretas da infecção e o fato de que estão presentes também na MM de Crotalus, podemos sugerir a hipótese de que Crotalus talvez fosse o medicamento que poderia ter ajudado Nguyen a se recuperar, tanto desse estado posterior à infecção, quanto da própria SARS.

Com isso não estamos afirmando que Crotalus horridus será o remédio ideal para a SARS, ou mesmo o “gênio epidêmico” da doença. Afirmamos aqui que Crot. pode vir a ser um medicamento valioso em alguns pacientes portadores do corona vírus causador dessa pneumonia, desde que os sintomas patognomônicos, gerais e particulares do caso estejam presentes.

O grupo final de sintomas considerados e utilizados para a repertorização foi:

Inflamação nos pulmões.
Asfixia
Febre Intensa
Estupor durante a febre
Dores que aparecem e desaparecem gradualmente.

Após a recuperação da fase aguda, acrescentamos um novo grupo de sintomas:

Sintomas constitucionais desenvolvidos após a fase aguda (Só encontramos essas informações na Matéria Medica de Kent, não no repertório)
Opressão no peito.
Vermelhidão nos olhos
Dores nos joelhos e pés, ao andar, paralítica, repuxante.
Paralisia dos membros inferiores, dos músculos extensores, hemiplegia à direita.

Somente Crot-h. cobre todos os sintomas.

Arnica, Gelsemium e Natrum mur. são os que tem o maior número de sintomas logo a seguir.

Esperamos que Nguyen se recupere em breve, infelizmente sem a ajuda da medicina hahnemanniana.

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